“Capitão Estados Unidos”

Depois de ter resistido bastante, ontem fui assistir Capitão América no cinema, mas não pensem que não gosto do personagem; a culpa de eu não ter colocado os óculos de papel celofane no dia que estreou o filme do primeiro vingador foi do lindo cinema da minha cidade. Pois é, a cada dez filmes que são exibidos aqui nove são dublados, característica que não é das minhas preferidas (e não vou discutir isto agora, talvez em um texto futuro). Então eu estava com certo desgosto por ter visto a faixa de “DUBLADO” no cartaz depois de ter esperado tanto tempo pelo lançamento. Mas poxa, é o Capitão América caramba, merece ser visto na telona.

Fui, e devo admitir que tive uma bela e agradável surpresa. Não é nenhum Batman de Nolan, mas é divertidíssimo e explica a origem do super herói de uma maneira bem bacana. Pra quem não conhece, o Capitão América é um personagem da Marvel criado na década de quarenta sob uma onda de patriotismo durante a Segunda Guerra Mundial para exaltar as qualidades estadunidenses e deixar a população otimista e distraída.

Vamos lá. O nanico e franzino Steve Rogers sonha em servir sua pátria amada na grande guerra, mas é rejeitado no alistamento militar devido a seu tamanho e sua saúde fraca até ser descoberto por um cientista que aposta todas as suas fichas nele e o enquadra em um projeto para a criação de super soldados. É o primeiro e único a passar pelo procedimento e se transforma no grandalhão fantasiado de bandeira norte americana que nós conhecemos. Toda essa passagem até a criação do Capitão América é mostrada brilhantemente no filme e nos deixa um detalhe interessante: fizeram uma incrível montagem deixando o ator Chris Tocha Humana Evans, que como bem sabemos é um monstro de forte, pequeno e magrelo.

Ouvi gente falar que o filme perde pontos por apelar para os dotes físicos do ator e suas roupas apertadas buscando gritinhos estridentes da plateia. Sinceramente, isso é um argumento muito infantil e que não inferioriza o filme. O cara só aparece sem camisa uma vez, ligeiramente, com o intuito de explorar com clareza a transformação de Rogers, o que é muito válido. Daí a crepusculizar o Capitão América meu amigo? Vamos com calma.

Parafraseando Pablo Villaça, o filme não deixa de ser um grande trailer para “Os Vingadores” (que será lançado ano que vem com a patota dos heróis toda reunida), mas é bem legal para conhecer a história do capitão americano. A fotografia é bastante correta, dando aspecto envelhecido às imagens, e as atuações são convincentes.

Outro comentário unânime é o de que o vilão caveira vermelha estava muito mal construído e sem personalidade. Isso não tenho como negar, é verdade, mas que fique bem claro que não foi culpa do grande agente Smith Hugo Weaving que fez uma boa atuação. Talvez o roteiro não tenha dado tanta abertura e maior liberdade ao personagem. Enfim, ele ficou meio fracotão mesmo.

Uma coisa legal. Vocês irão conhecer o pai do playboy Homem de Ferro (Howard Stark), que foi responsável pela roupa e escudo de Steve. Inclusive, ótima interpretação de Dominic Cooper, mostrando de onde vem o estilo tonystarkiano de ser.

Agora o mais interessante é que conseguiram amenizar a questão do ufanismo estadunidense. Muita gente que eu conheço diz que não quer assistir porque vai ser um puxa-saquismo só e bla bla bla. Para esses eu digo que vá sem prejulgamentos. Se você gosta do personagem sabe que ele foi criado pra isso mesmo (puxar o saco norte americano), e no filme tentaram dar uma equilibrada nesse negócio aí, sem exageros patrióticos. Se você não gosta do Capitão Estados Unidos, assista também, vai precisar antes de ver Os Vingadores.

PS: Tem cena extra depois dos créditos finais.