Meia Noite em Paris

Prometo que é a última vez (será?) que começo um texto me justificando pelo tempo sem postar. Já estou ficando com vergonha de sempre passar mais de uma semana sem atualizar. Mas quem é que olha esse blog mesmo? E pensando bem, quem manda nisso aqui sou eu e eu posto quando eu quiser. Na verdade esse foi um dos motivos que me fez criar um espaço virtual para escrever aleatoriedades (ter liberdade de utilizá-lo sem prazos e metas). Mas não se preocupem (os dois ou três que acompanham minhas viagens) porque, embora demorando, não irei ficar sem escrever.

Esse texto já devia ter saído há muito tempo e eu adiava por alguma razão. Quando eu assisti “Meia Noite em Paris” senti a extrema necessidade de escrever porque o filme é incrivelmente encantador. Portanto, como estou digitando ideias e percepções sem nenhuma programação (tomado pela emoção que o filme me transmitiu), deixo logo claro que no decorrer do texto podem aparecer alguns spoilers inevitáveis.

Então, pra quem não sabe, “Meia Noite em Paris” é o mais novo filme do baixinho de óculos, Woody Allen. E pra quem não sabe quem é Woody Allen, a única coisa que posso fazer é pedir que você busque o mais rápido possível assistir a um dos seus filmes e se deliciar com sua maneira peculiar de contar histórias enfatizando o comportamento humano e as vicissitudes da vida. Não tem como não se apaixonar.

Confesso que, apesar de se tratar de um trabalho do mestre da comédia romântica (ele nunca nos decepciona), eu resisti um pouco em assisti-lo. Não me perguntem o porquê, mas eu não criei muitas expectativas [informação inútil: foi a primeira vez que eu assisti a um filme no cinema sozinho, o que foi uma experiência bem interessante]. Ao término da sessão, saí da sala completamente fascinado com tamanha inteligência e domínio de linguagem cinematográfica. Parece que sua criatividade não acaba nunca (e olhe que ele tem um número infinito de obras em seus quarenta e tantos anos de carreira).

[peço-lhes agora que terminem de ler ouvindo a música a seguir, e se não for incrivelmente cativante eu faço a devolução do seu dinheiro].

“Meia Noite em Paris” narra uma curta viagem à Paris de um jovem escritor (Gil) de roteiros de Hollywood e sua futura esposa (Inez). Gil decide esquecer os filmes e se focar em um romance (um livro viu galera. Ele não tinha uma amante), a contragosto da sua noiva (uma chata de galochas) que só pensa no casamento e no quanto dinheiro tem que gastar para impressionar seus amiguinhos da high society. Quando digo que ela é a chata, não é pouco não. A mulher é insuportável.

Desde o início, nosso querido personagem demonstra uma gigante fascinação pela Paris da década de vinte. Ele é totalmente empolgado em conhecer (ler livros, escutar músicas, visitar lugares) uma época que não viveu, e isso é muito presente em várias pessoas de diversas gerações. Vez por outra se escuta: “como eu queria ter nascido na década de setenta”, ou “é óbvio que a década de oitenta deve ter sido a melhor de todas”.

Em todo o momento o pobre Gil deseja sair e se deslumbrar com a beleza da cidade das luzes em busca de inspiração e desfrutar da poesia encontrada nas pequenas coisas, como caminhar na chuva pelas ruas de Paris, enquanto sua noiva quer comer nos melhores e mais caros restaurantes e comprar, comprar e comprar.

E o que tem de interessante em uma história tão simples como essa? (aqui vai um spoilerzinho). Woody junta, nesse belo roteiro, toda a diferença que há entre o casalzinho com a possibilidade de viagem no tempo. É isso mesmo que você leu. E o melhor de tudo – Allen não está nem aí para explicar como isso acontece. Ele, sem nenhuma preocupação, faz com que seu personagem viaje no tempo. Não era isso que ele queria? Então toma, vai lá pra década de vinte.

No começo você não sabe se é um sonho ou se ele está vendo coisas, mas é real. Ele simplesmente viaja no tempo. Isso encheu meus olhos de brilho. A discussão sobre viagem no tempo já é algo que por si só me deixa maravilhado, imagina misturar isso com a ambientação parisiense, uma trilha sonora das mais lindas e um roteiro do cara que sabe prender a atenção de qualquer um. Fui totalmente seduzido pelo filme.

OK. Viajar no tempo já está de bom tamanho; viajar para a época dos seus sonhos é melhor ainda; o que me diz então de conhecer todos os seus ídolos de tempos passados? É isso que acontece e Gil acaba por conhecer os grandes nomes da arte do início do século XX, como Picasso, Salvador Dalí, Fitzgerald, Hemingway, Luís Buñuel entre outros.

Referências tem de sobra nessa produção, o que é de se esperar do nosso pequeno grande diretor. Ele conseguiu extrair de Owen Wilson a sua melhor atuação até hoje (em minha opinião), e olhe que Wilson não é muito conhecido por ótimas interpretações. E Adrien Brody está fantástico como Salvador Dalí, apesar de aparecer pouco mais que cinco minutos. Na verdade todas as atuações foram excelentes.

“Meia Noite em Paris” deve ser visto várias e várias vezes. É muito conteúdo, muita beleza pra apenas uma hora e quarenta e uma linda história de amor, mas não entre homem e mulher, e sim entre um jovem escritor e a cidade iluminada na época que mais desejaria ter vivido.

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4 respostas em “Meia Noite em Paris

  1. Você diz q eu não apareço pra ler, olha eu aki!kkkkkkkkkkkkkkk

    Vou começar a assistir o que você nos indica. Bom, tenho uma sugestão: Você deveria sugerir alguns filmes nas mais variadas categorias, tais como: comédia, histórico, ação, romance…

    Grande abraço e parabéns pelo blog!

  2. Quando eu vi que você escreveu sobre esse filme, decidi voltar hoje aqui, novamente.
    Agora, sem dor na consciência, pude ler e relembrar as cenas desse filme, principalmente por causa da trilha, que eu, particularmente, adoreeeeeeeeeei *-*.
    Eu prestava tanta atenção nessa trilha, quando ela começava, que meus comentários já estavam ficando chatos’ rs – eu não estava sozinha e nem no cinema, então podia falar a vontade, besta.

    Brilhante, realmente brilhante.
    Meu primeiro filme do Allen, sabe.
    Assisti por causa do clima parisiense, que eu julgava pelo título que teria.
    Na verdade, teve mais que isso. Teve mais que clima!
    Nem te conheço, mais vou logo contar: Eu ainda moro em Paris, sim, sim .. Morarei!

    Hauhsusah .. me dividindo aqui em conversas e outras abas, já estou ouvindo a música pela quinta vez. E ainda vou ouvir mais, enfim..

    Adorei teu post.
    Voltarei aqui mais vezes!
    Ganhou uma nova leitora, sô! xD

    Ps: Como eu me permito assistir filme no fds, já estava com um aqui aberto, de um tal de Rouben Mamoulian, maaaaaaas irei assistir Wood. Troqueei! Tenho um dele aqui tb!

    E tá bom, que eu já falei demais. N sei nem se pode tantos caracteres! :X

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