Saiba identificar um pseudointelectual

Faz uma semana que não posto nada aqui por pura preguiça e estava sentindo uma espécie de peso na consciência por isso. Manter esse negócio atualizado como o público deseja é impossível porque todos querem abrir a página a cada dia e ver algo novo pra ler ou assistir. Produzir material de qualidade requer um tempinho. É eu sei que nem tudo que sai daqui deste lindo blog é de uma utilidade suprema, mas é uma inutilidade boa, de qualidade (rs). Se eu conseguir no mínimo arrancar um sorriso de canto de boca seu, já está de bom tamanho. Afinal, quem é que vive sem a velha e agradável besteira?

Mas vamos ao que interessa. Uma coisa que andei observando nos últimos dias foi o comportamento de determinadas pessoas que vivem se fazendo passar por aquilo que gostariam de ser, mas não são. Essas pessoas de quem irei tratar são os pseudointelectuais (lembra da aula de biologia no colégio? Lembra dos pseudópodes, que a gente só memorizava depois que a professora dizia que significava “falsos pés”? Pronto!). Convivemos com muitos deles e às vezes é bem desagradável suportar algumas de suas atitudes.

Antes de começar e já começando, acho válido trazer uma simples definição de intelectual para entendermos bem o assunto. Claramente a palavra é relativa ao intelecto, que, segundo o Aurélio, é sinônimo de inteligência. Então, em linhas gerais, podemos dizer que uma pessoa intelectual é uma pessoa inteligente. Mas vamos extrair um pouco mais. Um intelectual é aquele que está sempre buscando o conhecimento e a elevação do seu nível cultural, tem suas próprias ideias e opiniões formadas e geralmente consegue exprimir um juízo de valor sobre qualquer assunto.

Não encare a figura do intelectual como um ser aristotélico, ele está em nosso meio e até mesmo você pode ser um. Se não está satisfeito com o pouco conhecimento que tem e sempre busca humildemente aprender mais, você está no caminho certo. É importante frisar que ninguém que se encaixe nos requisitos traçados para definir um verdadeiro intelectual vai chegar e dizer: “Oi, eu sou intelectual”. Portanto, o uso da palavra nesse texto é meramente elucidativo para expressar um estilo de vida.

-Certo. Bla bla bla e o que vem a ser o tal do pseudointelectual? Você não falou que lembrava das suas aulas de biologia? Explicando novamente, pseudo é o prefixo de origem grega usado para designar algo que é falso. Assim, pseudointelectual é aquele camarada que quer dar de sabidão na frente da galera usando um vocabulário que não está ao alcance de todos e citando frases que decorou da Wikipedia de algum lugar. É o cara que quer ou pensa ser o detentor de todo o conhecimento e acredita nunca estar errado. E o pior é que na maioria das vezes ele consegue se passar pela pessoa mais inteligente da galáxia se você não souber reconhece-lo. Por isso resolvi listar algumas características inerentes à maioria dos pseudointelectuais. Obviamente você não vai chegar pra um cara no primeiro contato e dizer que ele é um fake. Isso é resultado de observações e vivência. Então vamos lá.

1 – Necessidade de autoafirmação e aprovação

Isso é facilmente percebido quando você escuta dele uma resposta para uma pergunta que não lhe foi destinada ou sequer formulada. O cara sente essa necessidade de estar provando a todo o momento que sabe de alguma coisa (provavelmente leu no dia anterior em algum blog sem credibilidade) sobre determinado assunto e está doido pra soltar o conhecimento (raso por sinal) que adquiriu. Se por acaso a conversa não toma o rumo pretendido por ele, o sabichão faz seu comentário impertinente de qualquer forma. Algo mais ou menos assim:

Tente questionar algo mais sobre o tema. Ele provavelmente não saberá, e se por ventura o malandro foi esperto o suficiente e se preparou pra isso, cairá na terceira ou quarta pergunta.

Essa necessidade de afirmar-se decorre de outra necessidade que o marmanjo tem. A de se sentir aprovado pela turminha. Então certamente ele solta essas e outras querendo agradar e pensando que todos estão achando o máximo a sua exacerbada sabedoria e conhecimento profundo.

Logicamente, um verdadeiro intelectual não sairia por aí dando uma de gostosão. Muitos até nem sabem que ele se diverte aprendendo e que tem um altíssimo grau cultural. É mais quieto e na dele, não busca elogios.

2 – Artificialidade

Por ser uma pessoa que sempre busca elogios por aparentar ser algo que não é, uma de suas características mais marcantes é a artificialidade. Se o cara vive por atrás de uma maquiagem tentando ser o rei da cocada preta uma coisa é certa, natural é que ele não é.

Esse é um ponto chave que dá pra desmascarar alguns pseudointelectuais. Outros são mais bem preparados, mas vamos ver se dá pra derrubá-los com os próximos tópicos.

Certamente alguém que conhece bem e de longa data essa pessoa, saberá facilmente se ela está sendo artificial, mas para quem não tem tanta convivência é difícil perceber isso de imediato. É coisa pra um bom tempo de relacionamento.

O recanto familiar vai ser o ambiente em que essa pessoa vai poder ser ela mesma, a não ser que ela própria pense que seja um tipo de Sócrates pós-moderno. Aí o cara vai estar enganando a si mesmo e vivendo em um escafandro.

O dono de inteligência simples e pura irá ser sempre o mesmo onde quer que seja sabendo reconhecer seus erros e não se sentindo acanhado em perguntar algo que não sabe.

3 – Uso de vocabulário rebuscado

Nesse tópico não estou me referindo a todo sujeito que utilize palavras de difícil entendimento para a maioria das pessoas. Que isso fique bem claro. Existem pessoas que conseguem fazer o uso dessas palavras soar natural aos nossos ouvidos, por simplesmente ser um atributo intrínseco a elas. São pessoas que realmente sabem o que estão falando e utilizam seu vocabulário equilibradamente pra cada situação e ambiente.

Em contrapartida, o pseudointelectual aprende palavras aleatoriamente em alguma aula de filosofia e, achando ter entendido seu significado, pensa que pode utilizá-las a seu bel-prazer. E qual o intuito disso? Afirmar-se superior para conseguir aprovação. Estão vendo que suas características se relacionam entre si? É como se uma dependesse da outra. Creio que seja possível, porém muito difícil, um falso intelectual não reunir todas essas características que estou citando neste texto. Elas estão interligadas.

Há uma frase em que Nietzsche define bem essa questão e separa os que são e os que parecem ser profundos em inteligência:

“Quem sabe que é profundo, busca a clareza; quem deseja parecer profundo para a multidão, procura ser obscuro. Pois a multidão toma por profundo aquilo cujo fundo não vê: ela é medrosa, hesita em entrar na água.”

4 – Superficialidade

É preciso dizer que também há aquele cara verdadeiramente inteligente possuindo algumas dessas características e que é prepotente e difícil de lidar, todavia, é inegável seu altíssimo conhecimento de deixar qualquer um admirado. Talvez por ele ser convicto de sua intelectualidade, chegue a pensar que é melhor que os outros. Os desse tipo também não são pessoas bacanas de se relacionar.

Já a pessoa de quem estamos tratando nesse texto, é conhecida por sua superficialidade, ou seja, não é nada profundo naquilo que diz ser conhecedor (tudo). É como se o Mr. Sabedoria se focasse em decorar conceitos e não se aprofundasse no assunto por considerar desnecessário para a formação da sua imagem magnífica. Pra ele basta pesquisar umas coisinhas aqui e ali e está feita a sua exibição do final de semana. Aí quando ele se depara com pessoas que realmente dominam o assunto, a vergonha é feia.

Não tem problema nenhum se você não sabe de alguma coisa, afinal quem sabe de tudo? O problema é tentar aparentar conhecer aquilo que nunca morou na sua cabeça. Isso é o que se torna irritante em uma pessoa desse naipe. É tão bom discutir com amigos assuntos variados e aprender coisas que você não sabia como também transmitir informação. Essa troca de conteúdo é de extrema importância nas relações pessoais. Só que quando chega um bonitinho tentando roubar a cena, onde nada lhe foi perguntado, citando algum pensador famoso (depois te ter lido dois capítulos de uma obra do dito cujo), a conversa começa a ficar chata.

Por isso, se você gosta de ler, gosta de estudar e aprender coisas novas, evite ao máximo parecer um chato desses. Ninguém acha legal alguém que gosta de aparecer, muito menos que tenta mostrar algo que não é.

Eu escolhi algumas pessoas entre meus amiguinhos do twitter (umas delas eu conheço pessoalmente e são do meu convívio diário) e fiz uma pergunta para poder ilustrar mais ainda meu post com suas respostas. São pessoas que considero de um bom nível cultural e ótimas para uma longa conversa. Já aprendi muito com todas elas.

A pergunta foi: “O que é um pseudointelectual para você em apenas um tweet?”. Vamos ver no que deu:

Não tinha me ligado que foram tantas respostas. O texto acabou ficando longo demais. Mas é isso aí. Leia bons livros, assista filmes, conheça novas bandas, e estude. Nunca deixe de estudar e se aprofundar naquilo que te atrai. E lembre sempre que você pode aprender com qualquer pessoa, de criança a velho, mendigo a Sílvio Santos.

Ps: Obrigado a todos que contribuíram para a elaboração desse post, inclusive meu amigo Paulo que foi um ‘do contra’ no meio da multidão rs.

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26 respostas em “Saiba identificar um pseudointelectual

  1. Ei Lincoln que texto massa, gostei geral!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Parabéns, sem hipocrisia, demais, vou indicar no twitter, tem gente q merece dar uma lida e parar de ser pseudointelectual.

    • Também concordo. Tem pessoas que tomam isso como uma defesa pessoal contra outras mais inteligentes, mas essas já são outros tipos de pessoas, inseguras, imaturas e desconfiadas. Só não ignoro, também, a existência do tipo que tratei no texto.

  2. A sabedoria há de nos conduzir à humildade, amor, sensatez…
    O sábio antes de tudo, cala. Escuta mais do que fala. O sábio está sempre a conviver e aprender com todos diariamente. Em suma, a sabedoria sem a humildade é o mal de todos os males.

    Aqui deixo minha contribuição. O pseudointelectual é aquele que mais parece com um terrorista da al qaeda, que mal conheceu uma realidade, mas a defende como se fosse a única “verdade”. Agindo com um fundamentalismo tão exagerado, que em uma simples conversa, parece que ele vai explodir!

    Bom texto Lincoln!
    Valeu bobby!

  3. ei… gostei do texto visse…
    conheço uma pessoa que deveria lê-lo… assim ficaria mais fácil a convivência… ahauhauahuhauh

    abraço

  4. Bom, agradeço a Wollney Ribeiro por indicar esse texto e sigo a recomendação do amigo, anotando-o.
    Na verdade, essa expressão neologista “pseudointelectual” é mais um adjetivo depreciativo simbólico do que um tipo psicológico-comportamental provado. Noutras palavras, não há níveis de “intelectualidade” que permitam sua mensuração ou classificação, isso a ponto de se dizer: Fulano é mais intelectual do que Beltrano (ou tão quanto este ou, ainda, menos que este etc).
    Ao contrário do que ocorre com a inteligência (capacidade de tirocínio, poder de abstração e compreensão da realidade), não há como se medir o grau de cultura ou erudição de qualquer pessoa, pois qualquer valoração que tenda a isso deverá sempre considerar o quão culto/erudito (ou como se diz usualmente “intelectual”) o sujeito é em relação a um terceiro, considerando, também, outros fatores variáveis com o ambiente social, histórico e cultural.
    Desse modo, a palavra “pseudointelectual” só pode ser usada corretamente como argumento puramente subjetivo de quem a utiliza, com os objetivos de: a) aumentar o vigor da argumentação, dando-lhe um tom mais ofensivo; b) se sobrepor sobre o sujeito julgado “intelectualmente falso”, em comparação com a “verdadeira intelectualidade” de quem valora alguém por esse critério; c) atender à conveniência democrática de equalizar os indivíduos numa mesma frequência intelectiva (isonomia cognoscitiva), rebaixando-se o “intelectual inverídico” ao mesmo nível do orador.
    Enfim, o texto é muito bom e divertido, além de estar bem posto em relação à proposta do autor. Contudo, peço licença para acrescentar, em nome da equidade filosófica, que a frase de Nietzsche transcrita no texto (final do item 3) não é uma ideia original dele, mas de Schopenhauer (“Sobre o Ofício do Escritor”, Ed. Martins Fontes, 2005, p. 39), o qual, por sua vez, foi buscar em Horácio a sua inspiração: “Scribendi recte sapere est et principium et fons”.
    Eita! Por um breve instante, julguei os dois filósofos-gênios alemães como “pseudointelectuais”, por terem repetido Horácio… E a mim mesmo, por ter citado os três…

    • Muito obrigado pelo comentário riquíssimo professor. E muito bom você ter colocado isso em relação a “frase de Nietzsche”, coisa da qual eu não sabia.
      Fico feliz em ter a opinião de uma pessoa como o senhor aqui nesse tão simples blog, e os acréscimos foram totalmente pertinentes.

      =D

      • Caro Lincoln, só o fato de o blog ter o nome do maior ícone da minha infância já é algo que, ao meu ver, merece um oscar… \o/ Além disso, a sua clareza de estilo e a proposta inovadora do conteúdo deixam evidente a importância do blog. Vou recomendá-lo e espero poder contribuir mais futuramente. Parabéns!

  5. O pedantismo e a soberba são características repugnantes em intelectuais e em pseudointelectuais, a diferença é que os pseudointelectuais não têm sequer propriedade para exibicionismos. Por outro lado, quando uma pessoa domina variados assuntos e é humilde, seus dotes são naturalmente descobertos e ela se torna ainda mais admirável. A humildade enobrece o homem.
    Parabéns por mais um texto legal, Lincoln.

  6. Agora que li o texto e os comentários penso ser um pseudointelectual; ou um intelectual… Sei lá! O que importa é que o texto faz pensar; e isso é desenvolver intelectualidade. Parabéns pelo texto! Ficou a sua altura. Isso é alto. Abração, primo.

  7. Excelente texto! Mesmo sem podermos mensurar a intelectualidade, acredito q possamos reconhecer a originalidade.
    Mandou bem!

  8. Ok. Um texto lindamente escrito! Mas eu ainda acho que todos nós temos um pouco desde pseudointelectual, lá no fundinho achamos que sabemos tudo… e não sabemos abasolutamente nada. Um erro comum entre jovens. Continue escrevendo.. assim.. “lindamente”, e eu estarei na platéia.. parabéns!

  9. O verdadeiro intelectual é democrático, troca idéias com colegas de trabalho e põe em pratica em sua vida aquilo que aprende! geralmente seu estilo de trabalho facilita a vida dos colegas e a sua própria vida! é como um cientista! descobre novas formas de fazer as coisas baseando-se nos conhecimentos adquiridos com sua leituras!!

  10. Ah sim. Excelente texto. Gosto bastante de ler o que os pseudointelectuais tanto criticam.Confesso que li inúmeros livros que até mesmo os intelectuais consideram como a escória da sociedade e tinha me desmotivado bastante a prosseguir com os assuntos que gosto tais como espiritismo.

  11. Gostei demais do post!!! Tenho um amigo próximo que é exatamente tudo o que foi descrito aqui…
    Mas pesquisei o que é ululante. Óbvio ululante não seria pleonamso? Tipo descer para baixo.
    Haters gonna hate =)

    • A ideia é essa Gabriel. Dar ênfase.

      Obs: “O Óbvio Ululante” é o nome de um livro de Nelson Rodrigues.
      Obs2: “Além do óbvio ululante que pulula nas mentes humanas” é o nome de uma história da turma da Mônica.

      abraço.

  12. Bom gostei do texto Porém achei que algumas coisas se contradizem
    Minha opinião é que o texto foi bem formado porém você acabou parecendo um
    pseudointelectual kkkkkkkkk se prestarmos atenção em seus sarcasmos veremos que eles lhe dão a ênfase de pseudointelectual 🙂

  13. Gente! Show. O que dei de risada com as respostas… foi 10. Cheguei aqui, porque fiz uma frase para colocar no meu site… e pensei… não custa dar uma olhada e verificar se alguém não pensou a mesma frase antes… Bom, dai li um texto: http://ojornalistico.blogspot.com.br/2013/04/os-insuportaveis-pseudo-intelectuais.html e alguem disse que esse texto tem trechos dessa materia… resolvi conferir… mundo louco esse da rede… parece ficção.

  14. Por exemplo, a pessoa que criou o texto é pseudo intelectual; e pessoas assim são chatíssimas, julgam o que não conhecem e, principalmente, expõem verdades. Os verdadeiros pseudo intelectuais estão nas Universidades, cuspindo verdades, e os que deram vida ao assunto não estão sendo citados. O Nietzsche não deu vida ao assunto, será que deu? Qual credibilidade a pessoa que criou este material tem ao citar Nietzsche?

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